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Setembro Verde e Ser Diferente é Ser Gente juntos pela inclusão

Em 10/24/2017 às 09:22

A Campanha Setembro Verde, instituída pela Feapaes-SP desde 2015, tem como objetivo tornar o mês referência na luta pelos direitos e inclusão social da pessoa com deficiência. Para promover a campanha, a APAE Tatuí realizou atividades pedagógicas de conscientização, jogos cooperativos, visita dos atendidos a outras instituições e recebeu a visita do Colégio Mackenzie de Tatuí no Dia de Incluir, 21/09.

Á convite do coordenador do projeto Ser Diferente é Ser Gente, Lucas Henrique Borelli, as crianças da educação infantil do colégio e da APAE participaram de atividades lúdicas e pedagógicas que visam a socialização na infância.

Para uma avaliação do Dia de Incluir da campanha deste ano, entrevistamos a coordenadora pedagógica do Colégio Mackenzie, Xênia Maria Oliveti Santos, 49, que não conhecia o trabalho da associação até pouco tempo. "A APAE me surpreendeu", conta ao se referir ao método de ensino utilizado com as crianças com deficiência.

O que surpreendeu Xênia é o Currículo Funcional Natural que a APAE utiliza ao ensinar habilidades que os alunos coloquem em prática na vida diária – por meio de um ambiente que proporcione a simulação das atividades. Como faz o Centro de Convivência da associação com as atividades na cozinha experimental, lavanderia e bazar, por exemplo.

Na entrevista, a coordenadora também comenta a mudança que a participação no projeto Ser Diferente é Ser Gente causou nas crianças do colégio. Ela percebe que agora estão mais empáticas, ajudam e se preocupam com os demais amiguinhos. “A partir daí eles ajudaram mais ainda as crianças”. Xênia não esquece que isso refletiu inclusive no relacionamento da escola com os pais que puderam perceber ainda mais a necessidade da inclusão social.

Xênia Maria Oliveti Santos é formada em Biologia pela Unicastelo, com especialização em gestão escolar pela Unicsul. Em 2011 mudou-se para Tatuí para trabalhar no Colégio Mackenzie, onde começou como auxiliar, mas pouco tempo depois já passou a dirigir a coordenação pedagógica da escola. A seguir você acompanha a entrevista:

A participação do Colégio Mackenzie no Projeto Ser Diferente é Ser Gente colaborou para alterar a visão que você tinha da APAE?

Eu não conhecia a AAPE. Eu enxergava de outra maneira, então, para mim, foi ótimo. Eu achava que a APAE fazia o papel que a gente faz aqui [escola regular] de ensinar a ler e a escrever – o que a gente tenta fazer com as crianças com deficiência. Mas eu vi que a APAE ensina pelo lado social, eu achei muito interessante.

No primeiro momento eu achei que fosse chorar, porque eu tenho o coração muito mole. Não que a gente não fique com o sentimento à flor da pele, mas eu vi que eles são bem cuidados – tanto pela família e pela APAE. A APAE me surpreendeu, na verdade. Achava que era igual aqui, sentavam e aprendiam, não tinha noção – na verdade não sou especialista [em educação especial]. Então aprendemos bastante e a APAE foi excelente para nós, principalmente para os nossos alunos autistas que também foram na visita.

Como é o dia-a-dia de vocês com as crianças autistas no Colégio Mackenzie?

Depende de cada um. Nós temos um menino que fica um tempo na sala, não dá trabalho, depois ele sai e anda pela escola, faz a tarefa dele – esse é o maior, está no 5º ano. Tem o do 7º ano, que entra e estuda, tem as dificuldades deles de fazer a prova, então a gente [coordenação] que aplica a prova para ele. Eu tenho uma de oito anos [com grau de autismo considerado severo], ela tem a cuidadora [quem auxilia a professora a adaptar as atividades para ela e a acompanha]. O professor de educação física faz atividades diferenciadas, adaptadas. Na sala de aula, as professoras fazem atividades separadas também. Ontem nós fizemos matrícula de mais dois.

E em relação aos pais desses alunos, como é o relacionamento deles com a escola?

No primeiro momento eles ficam meio assim: será que vão aceitar? – Todos os pais que estão entrando agora foram indicações dos pais que já estavam aqui, que adoram a escola. Eles falam que a gente tem um amor, e realmente a gente tem mesmo, temos um carinho enorme por eles. Os pais trabalham junto com a gente, temos até um grupo no WhatsApp. A gente pega na orelha dos pais [em relação a manter uma rotina com as crianças], mas todos estão satisfeitos e gostam.

No seu ponto de vista como coordenadora pedagógica, qual é o impacto que o Projeto Ser Diferente é Ser Gente tem na construção de uma sociedade mais inclusiva?

O projeto foi excelente, até os pais falaram que adoraram da gente ter ido. O que eu vi que ajuda na inclusão é que nós passamos a conhecer o outro lado e passamos para os pais, porque queriam saber o que nós vimos na APAE. Quando falamos que íamos pra lá, achamos que os pais não iam deixar seus filhos irem, porque ainda existe o preconceito, mas a gente arriscou e todos deixaram e ficaram felizes. Então isso ajudou a gente a ir pra lá para fazer com que os pais entendessem que a gente tem que ter a inclusão na escola e eles [os alunos] respeitarem.

As crianças chegaram para os pais falando das outras [dos alunos da APAE], eles viram que ninguém é diferente, só tem as dificuldades que todo mundo tem. Até explicamos: você não tem dificuldade em matemática? Em português? Então, eles têm dificuldade de fazer isso ou aquilo. Eles também têm que ir para a escola todos os dias, só que aprendem de outro modo.

A participação das crianças do Mackenzie no projeto Ser Diferente é Ser Gente teve impacto na vida delas?

A partir daí eles ajudaram mais ainda as crianças: a pegar no lápis, a pintar. Você precisa ver que graça.

Então eles ficaram com mais empatia?

Sim, bastante. As crianças adoraram. O Pedro [Couto, professora da APAE] falou que a gente pode ir lá usar o Jardim Sensorial, todo mundo quer ir.

Para você, qual é a importância de haver inclusão social na infância?

A importância da inclusão na infância, na escola, é da criança não fazer diferença de um para outro. Eu vejo aqui na escola [Colégio Mackenzie Tatuí]. Eu tenho vários alunos autistas, e as crianças não fazem diferença nenhuma. Eles brincam, dividem o lanche, participam, ajudam a fazer a lição, as tarefas, vão ao parque e ajudam a subir, andar – porque tem criança que tem mais dificuldade. Isso que é importante, eles não fazerem diferença de que um tem um probleminha e o outro não.

 

Fonte: APAE Tatuí

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